segunda-feira, 20 de junho de 2011

>Onde Investir?

Antes de pensar em investir deve pensar em saldar as suas dívidas (nomeadamente as que apresentam taxas de juro mais elevadas).
Com as taxas de juro do crédito habitação actuais (na ordem dos 3-4%), muitas vezes não compensa amortizar esta dívida uma vez que apresenta uma taxa de juro baixa e é possível facilmente obter rendimentos a taxas superiores (actualmente os certificados de tesouro apresentam rentabilidades na ordem dos 5-6%, tratando-se de uma aplicação bastante segura).

Já quando se fala em cartões de crédito (taxas na ordem dos 20-30%) e créditos pessoais recorrendo a empresas (taxas pouco mais baixas que os cartões de crédito) compensa de longe amortizar esta dívidas com as suas poupança e sim depois disso pensar em investir.

Lembre-se que para investir existe uma palavra-chave – poupança – sem poupança torna-se impossível investir (idealmente deverá tentar poupar pelo menos 10% do seu salário/rendimentos).

Outra ideia chave que deve ter sempre presente quando pensa em investir trata-se de – “nunca colocar todos os ovos no mesmo cesto”, tal como diz a sabedoria popular. O investimento tem quase sempre um risco associado (excepção para alguns casos como o caso dos depósitos a prazo, sendo que estes também não são os que apresentam melhor rentabilidade). Portanto, uma das chaves para o seu sucesso e quem sabe obter a sua independência financeira (ter rendimentos que o permitam viver sem ter de trabalhar até ao final da sua vida) está na diversificação das suas aplicações financeiras.

Tenha presente que quanto mais cedo começar a poupar, mais cedo e mais fácil será atingir o seu objectivo!

Quando pensamos em investir devemos ter em atenção a conjuntura actual (económica, política, social… etc.). Aqui em Portugal quem investiu em imobiliário conseguia taxas de retorno em poucos anos na ordem dos 100%, isso no presente acabou – salvo pequenas excepções.

As diversas opções de investimento estão sujeitas a regimes fiscais distintos, muitas vezes é possível procurar produtos que muito embora apresentem grandes possibilidades de retorno são extremamente penalizadas pelo imposto que temos de pagar ao estado. Vou dar um exemplo: Você compra uma casa por 100 e pensa em vendê-la por 150 em 4anos, mas no entretanto teve de pagar 50 de IMT( Imposto Municipal Sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis) e de IMI (Imposto Municipal Sobre Imóveis), então não ganhou nada. Com isto não estou a dizer que o imobiliário não é uma boa opção, mas apenas que é necessário ter em atenção a carga fiscal que vai ser aplicada aos nossos investimentos. (E atenção também este item está em constante alteração!)


Segurança ou risco no investimento


Normalmente os investimentos que fazemos enquadram-se numa destas duas dualidades. O caricato é que normalmente as aplicações que apresentam maior risco também são aquelas que apresentam maior rentabilidade, mas por outro lado também nos levam a perder as nossas poupanças! Portanto o que lhe recomendo é que tenha a maior parte do seu capital em aplicações seguras, pelo menos 80% e o restante em aplicações de maior risco. Mas isto trata-se de uma questão bastante pessoal, eu enquadro-me num perfil bastante conservador…



Opções de Investimento


Existem muitas opções, apresento seguidamente algumas opções…



depósitos a prazo


É uma aplicação 100% segura, a sua rentabilidade é normalmente um pouco limitada face a outras opções, mas é uma excelente hipótese para começar.

Atenção: opte sempre pelos juros compostos – sabe sempre bem ver os juros a “cair” na sua conta à ordem no entanto é um engano não optar por juros compostos (ou seja, estes mantêm-se na aplicação estando constantemente a capitalizar juros sobre juros).

Aplicando as respectivas fórmulas (que podem ser observadas no wikipédia) facilmente se chega à seguinte tabela (considerando uma taxa de juro anual constante de 5%):





























Capital investido - €



Juro simples (5anos)



Juro composto (5anos)



Juro simples (20anos)



Juro composto (20anos)

50.00062.50063.814100.000132.664
100.000125.000127.628200.000265.329



Verifica-se que para períodos de tempo maiores compensa e muito a opção por juros compostos. Ao final de 20 anos tem-se uma diferença de 137701 (265329-127628). Já viu a aquilo que perderia???


acções ou fundos de investimento


Dizem os dados existentes que estes produtos ao longo das últimas décadas foram os que apresentaram maiores taxas de rentabilidade. Agora é preciso ter em atenção que por se tratar de participações em empresas, estas estão muito sujeitas às condições do mercado e como tal existem períodos que apresentam grandes quedas (nestas aplicações não há garantia do capital investido). Com o início da crise nacional e internacional verificou-se uma enorme perda destes produtos.

Uma vez que no presente estes produtos já baixaram tanto e pensa-se que as condições económicas do país e internacionais comecem a melhorar, talvez seja uma boa opção de investimento (talvez sim, porque nada é certo!).

Quem pretende optar por este tipo de investimento é conveniente pensar em investimentos de prazo alargado (superior a 5anos) para assim diminuir o risco da diminuição temporária das acções/fundos de investimento.

Estes dois produtos distinguem-se pelo facto de as acções dizerem respeito a uma única empresa enquanto que os fundos de investimento reúnem acções de várias empresas, diminuindo assim a possibilidade de se ter perdas muito grandes, ao apostar tudo numa só empresa e/ou sector…


Certificados de aforro


Este produto apresenta garantia do estado e pode ser subscrito nos CTT. Apresenta uma remuneração indexada à euribor, que presentemente se encontra bastante baixa. Assim pensa-se que não será das melhores opções no presente.


Certificados do tesouro


Este produto é um instrumento de dívida do estado, que apresenta como objectivo cativar a poupança das famílias.

Apresenta rentabilidade muito convidativa a partir de subscrições de 5anos (na ordem dos 5% presentemente) e apresenta garantia de capital do estado.

A emissão e o resgate deste produto é efectuado nos CTT e, o mínimo de subscrição são 1000 unidades (1000€).

Uma vez que o estado se apresenta com grandes necessidades de financiamento este produto apresenta uma boa taxa de rentabilidade de momento.

Existe a excepção dos certificados do tesouro poupança mais lançados no final de 2013



Poupança reforma


Este produto já se apresentou bastante vantajoso no passado uma vez que a par das taxas de juro apresentava incentivo por parte dos estado, nomeadamente a nível de deduções no irs. Como esse incentivo terminou, deixou de se tornar atractivo.


Poupança habitação


Também a poupança habitação deixou de se tornar atractiva uma vez que as taxas de juro são bastante baixas, mesmo face a um depósito a prazo.

Apresenta vantagem aquando da compra de habitação pois permite desconto nalgumas despesas administrativas.


Imobiliário


O imobiliário foi no passado um dos pontos fortes do investimento, sendo presentemente um dos pesadelos para muitas pessoas.

Com o excesso de oferta de habitação existente em Portugal, a carga fiscal aplicada, o corte na concessão de crédito por parte dos bancos devido à crise financeira que se faz sentir tornou o investimento em imobiliário não muito atractivo.

No entanto se conciliar o investimento com o facto de utilizar este como habitação ou utilizar o imóvel para arrendamento estão já estará a optimizar os seus benefícios financeiros.



Terrenos agrícolas


Pelo que tenho visto, este item não é falado pelos especialistas e até pode dar vontade de rir, no entanto, decidi acrescentá-lo.

Há 40/50 anos atrás este era um dos bens mais valiosos, uma vez que grande parte das famílias viviam em parte da agricultura de subsistência. Com o passar do tempo estes terrenos perderam grande parte do seu valor…

De momento Portugal importa grande parte dos bens agrícolas que consome, a tendência e uma vez que se está a chegar à conclusão que uma das formas de dar-mos à volta a esta crise é diminuirmos a nossa dependência das importações, então prevejo que os terrenos agrícolas comecem a valorizar nos próximos anos. Enfim, trata-se apenas de uma previsão…!

Empreender

Se por acaso tem uma veia empreendedora aliada a uma boa ideia porque não investir no seu próprio projecto. Para quem gostar e tiver força de vontade esta pode ser uma forma de fazer dinheiro. No entanto apresenta também um risco associado.


ATENÇÃO: o acto de investir implica muita reflexão e análise de diversos factores, não se deixe levar pelo que lê numa primeira vez... boa sorte! ;)

1 comentário: