sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Crédito à Habitação: Será a Altura Certa?



Passado quase um ano desde a implementação da “Bazuca” por parte do Banco Central Europeu (BCE) e com as taxas de juro do crédito ao consumo a atingirem níveis historicamente baixos, será esta uma boa altura para contrair crédito à habitação?

O sentimento geral é que comprar casa voltou a ser atrativo, principalmente tendo em conta que, nos últimos anos, o paradoxo comprar vs arrendar tem pendido para a segunda opção. Basicamente, os custos do crédito à habitação estão a baixar.


Euribor em valores negativos


As principais razões são que, por um lado, a taxa Euribor está historicamente baixa, tal como os preços das casas, que também estão em queda, e por outro, muitos proprietários querem vender, urgentemente, as suas casas.

O indexante, utilizado na maioria dos contratos de crédito à habitação, está em valores abaixo de zero a 1, 3 e 6 meses, sendo a 12 meses a única positiva. Consequentemente, o spread, margem de lucro dos bancos, também tem diminuído para valores mais razoáveis, tornando o crédito à habitação mais acessível. 

Porém, nem tudo é fácil. Em primeiro lugar, porque nem toda a gente tem capacidade financeira ou acesso a boas condições de financiamento. Em segundo, porque normalmente as instituições financeiras exigem que sejam contratados outros produtos para além do crédito para reduzir o spread, tendo cada vez mais em conta a taxa de esforço, isto é, o peso que a prestação com crédito tem dentro do rendimento mensal do agregado familiar.

Para além disso, a avaliação do risco está, atualmente, mais rigorosa.


“Bazuca”: um tiro nas taxas de juro


Desde março que o BCE, através de um programa de ‘quantatitive easing’, compra ativos (títulos de dívida pública e privada) no total de 1,14 biliões de euros (cerca de 60 mil milhões de euros mensais). Está previsto que termine em setembro de 2016.

O principal objetivo deste estímulo económico é desarredar a deflação da zona Euro e fomentar o crescimento da economia europeia. Para isso, o BCE imprimiu dinheiro e comprou obrigações do tesouro aos bancos, que em troca ficaram com mais dinheiro para usar de diferentes maneiras: conceder mais crédito às empresas, famílias ou investir em novas ações.

Mas onde entra o crédito à habitação? O programa da entidade de Mario Draghi levou a que as taxas Euribor, que servem de indexantes à maioria dos créditos à habitação, se mantivessem em valores mínimos. Boas notícias para quem já tem crédito à habitação.

Mas também as há para quem está agora a pensar comprar casa, uma vez que as instituições têm feito cortes nos spreads, havendo agora cerca de 80% das instituições financeiras do mercado a praticarem valores abaixo dos 2%.

Analise todos os custos


É muito importante comparar as diferentes ofertas do mercado, para que se possa tomar a decisão mais ponderada e substanciada, uma vez que comprar casa acarreta um contrato de crédito a longo prazo.

Desta forma, é crucial que não se tomem decisões apressadas, assim como não ter em conta apenas o valor da casa e a prestação mensal. É primordial que conheça os impactos que as oscilações da Euribor possam ter na mensalidade, antecipando subidas que possam ocorrer e tendo a certeza que consegue pagar as prestações a tempo e horas.

E não se esqueça que terá outros custos associados, como condomínio, obras de manutenção, seguros, IMI, entre outros.

O crédito à habitação concedido pelos bancos está a aumentar, o que demonstra o retorno da confiança dos mercados. Segundo dados do Banco de Portugal, em dezembro de 2014 foram concedidos 279 milhões de euros, tendo sido o valor mensal mais alto desde 2011. Se está a equacionar comprar casa, talvez seja uma boa altura...



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Este artigo foi produzido pela equipa do ComparaJá.pt, a mais recente plataforma online de agregação e comparação de produtos financeiros em Portugal, como cartões de crédito e crédito pessoal.

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